Fernanda Rosa da Silva Brasileira, 32 anos, solteira CPF 076.675.617-37 Rua Governador Portela, S/N Lote 54 Quadra 12 Trezentos 25580-690 São João de Meriti, Rio de Janeiro - Brasil 21-26716248 21-75442546 cel 55 (21) 7544-2546 nanda_rj7@hotmail.com http://www.contabilidadeemacao.zip.net Objetivo Oportunidade na área Contábil-Fiscal. Perfil profissional Graduada em Ciências Contábeis com habilitação definitiva e ativa pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro, além de possuir vários cursos de desenvolvimento e aprimoramento profissional com estudos e pesquisas freqüentes para atualização. Experiência multidisciplinar adquirida em escritórios de médio e pequeno porte, atuando nas áreas contábeis e fiscais, e administrativas. Domínio em informática, sendo usuária do sistema Alterdata, Prosoft, Softguild, H & J, dos aplicativos Microsoft Office. Profissional dinâmica, organizada e criativa que apresenta facilidade de trabalhar em grupo e, voltada para o resultado e a produtividade. Inglês: Cursando. Jovem e com disponibilidade para viagens. Matéria publicada pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul sob o tema, Balanço Social: Uma ferramenta de gestão em Setembro de 2007. Matéria republicada pelo Centro de Orientação, Atualização e Desenvolvimento Profissional – COAD, caderno Contabilidade e Gestão em Outubro de 2007. Matéria republicada pela Revista Pensar Contábil - CRC-RJ, em Março de 2008. Formação · Escolaridade Formação superior completa. · Curso técnico – Médio (2o grau) Técnico de Contabilidade, Colégio Estadual Bahia (dezembro/1995) - concluída. · Graduação Ciências Contábeis, Centro Universitácio da Cidade - UNIVERCIDADE (agosto/2006) - concluída. Idiomas Inglês: leitura básica, escrita básica, conversação básica. Histórico profissional · La Rocque Contadores Associados Ltda - desde janeiro/2006 (Empresa de pequeno porte no segmento contabilidade) Contadora Experiência em análise, classificação e lançamentos contábeis em sistema Prosoft. Conhecimento da estrutura de plano de contas, na conciliação e reconciliação bancária, na análise das contas a pagar e conta de fornecedores, Análise de Balanços, Lucro Real, Lucro Presumido, Simples. DCTF, DACON, DIRF, DIRPJ, DIRPF, ICMS e ICMS-ST, ISS, PIS e COFINS (cumulativo e não cumulativo), SPED Contábil (Testes) e FCONT. Em Julho de 2006, passei a atuar na direção de um dos setores contábeis. Experiências com empresas do setor de medicamentos, sujeitas ao ICMS Normal e ICMS Substituição Tributária, Empresa tributada pelo Lucro Real com faturamento em 2009 de R$ 69.000.000,00 (sessenta e nove Milhões de reais). Atendimento ao cliente em reuniões de fechamentos. Organização e tutela de documentos. Coordenação de três funcionários (fiscal e departamento pessoal, e treinamento de uma estagiária na área contábil). Assinatura digital A3.
Escrito por Fernanda Silva às 21h55
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· Profissional Liberal com escritório próprio, responsável téc - de setembro/2004 a dezembro/2005 (Atividade autônoma) Responsável Técnico Legalização de empresas. Contabilidade e Assessoria Contábil. · Tavares & Oliveira Contadores Ltda - de junho/2003 a agosto/2004 (Micro-empresa no segmento contabilidade) Auxiliar de Contabilidade Experiência em análise, classificação e lançamentos contábeis em sistema H & J. Conhecimento da estrutura de plano de contas, na conciliação e reconciliação bancária, na análise das contas a pagar e conta de fornecedores, Análise de Balanços, Lucro Real, Lucro Presumido, Simples. DCTF, DACON, DIRF, DIRPJ, DIRPF. Experiência adquirida em empresas de engenharia civil. Organização e tutela de documentos. · César Caldeira Cardoso - de fevereiro/2001 a maio/2003 (Atividade autônoma) Auxiliar de Contabilidade Experiência em análise, classificação e lançamentos contábeis em sistema Alterdata. Conhecimento da estrutura de plano de contas, na conciliação e reconciliação bancária, na análise das contas a pagar e conta de fornecedores, Análise de Balanços, Lucro Real, Lucro Presumido, Simples. DCTF, DACON, DIRF, DIRPJ, DIRPF. Responsável pelos setores contábil e fiscal. · ATB Consultoria Ltda - de maio/1996 a maio/1998 (Micro-empresa no segmento consultoria) Assistente Administrativo Responsável pelo setor fiscal. Experiência em ICMS, IPI, PIS e COFINS, IRPJ, CSLL. Escrituração Fiscal. Último salário e benefícios · Último salário: R$ 2400,00 (atual). · Benefícios Vale Transporte, Ticket Refeicao, Assistência Médica e Odontológica. Outros objetivos · Pretensão salarial: Faixa de R$ 4000,00. · Região de trabalho Preferência pela região de São João de Meriti/RJ/BR, ou cidades em um raio de até 50 km. Aceita considerar propostas de outras regiões. Aceita viajar pela empresa. Informações complementares Experiência em análise, classificação e lançamentos contábeis em sistema Prosoft. Conhecimento da estrutura de plano de contas, na conciliação e reconciliação bancária, na análise das contas a pagar e conta de fornecedores, Análise de Balanços, Lucro Real, Lucro Presumido, Simples. DCTF, DACON, DIRF, DIRPJ, DIRPF, ICMS e ICMS-ST, ISS, PIS e COFINS (cumulativo e não cumulativo), SPED Contábil e FCONT. Em Julho de 2006, passei a atuar na direção de um dos setores contábeis. Experiências com empresas do setor de medicamentos, sujeitas ao ICMS Normal e ICMS Substituição Tributária, Empresa tributada pelo Lucro Real com faturamento em 2009 de R$ 85.000.000,00 (oitenta e cinco Milhões de reais). Atendimento ao cliente em reuniões de fechamentos. Organização e tutela de documentos. Coordenação de três funcionários (fiscal e departamento pessoal, e treinamento de uma estagiária na área contábil). Assinatura digital A3.
Escrito por Fernanda Silva às 21h55
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CPC´s Links de fácil consulta Alguns comentários sobre as principais alterações na legislação contábil 1º. Art. 14 CDC (Cód. Defesa do Consumidor): Punição Contabilista, profissional liberal, abaixo segue transcrito: Art. 14 - O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 1º - O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido. § 2º - O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. § 3º - O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 2º. Exame de suficiência CFC/CRC: Será uma exigência a partir de 2011; 3º. Normas Internacionais / CVM 4º. IASB (Normas, mais de 120 países) – Padrões Internacionais; 5º. 3ª Fase: 11.638/07 e 11.941/09; 6º. Convergência das normais internacionais: agregação Fiscal e Contábil; 7º. Compara Relatórios Contábeis; 8º. Transparência Contábil: permite redução de custos e captação de recursos; 9º. Baseia-se em princípios no lugar de regras; 10º. Foco na tomada de decisões; 11º. Maior Amplitude de Estimativas Contábeis Problemas: 1º. Tradução das normas; 2º. Emissão de muitas normais ao mesmo tempo; 3º. Atualização constante sem discussões; 4º. Desconhecimento parcial e complexidade; 5º. Duvidas no Padrão a seguir: a) Prazo estreito para implantação nas empresas. b) Falta: 1) Modelo Contábil; 2) participação dos contadores; 3) Preparação dos professores; 4) Material didático; 5) Tempo para estudar e se preparar para a transição.
Conclusão: Companhias Abertas – Estão obrigadas 1º. Processo é irreversível; 2º. Esforço inicial elevado; 3º. Detalhe sem conteúdo; 4º. Transição de flexibilidade;
Escrito por Fernanda Silva às 00h38
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CPC´s
Comitê de Pronunciamentos Contábeis: Sites para consulta CPC 00: Direção Normas, pronunciamento Conceitual. http://www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.pdf CPC 01: Geradores Caixa; Resgates das perdas imobilizados, Investimento, Intangíveis. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_01.pdf CPC 02: Mudanças Cambiais / Variações Cambiais no PL / Moeda funcional. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2002_R1.pdf CPC 03: Demonstração do Fluxo de Caixa: Métodos: Direto / Indireto. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_03_R1.pdf CPC 04: Despesas Pré-Operacionais – Direto para despesa (Intangível não é amortizado). http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_04.pdf CPC 05: Divulgação: Partes relacionadas (parentes), Controlador final, Remuneração: peça-chave. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_05.pdf CPC 06: Operações: Arrendamento Mercantil: financeiro / operacional; Impossibilidade não linear. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_06.pdf CPC 07: Subvenções e Assist. Governamental: não pode no PL http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_07.pdf CPC 08: Custos de transação e Prêmios de Emissão de títulos e valores mobiliários redução no PL. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_08.pdf CPC 09: Demonstração do Valor Adicionado: obrigatório para empresas de Capital Aberto. http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_09.pdf CPC 10: Pagamentos Baseados em Ações http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_10.pdf CPC 11: Contrato de Seguros http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_11.pdf CPC 12: Ajuste ao Valor Presente http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_12.pdf CPC 13: Adoção inicial da Lei 11 686/07 e MP 949/08 http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_13.pdf CPC 14: Instrumentos Financeiros – Revogado. Ver CPC´s 38, 39 e 40 e OCPC 03 http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_38.pdf http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_39.pdf http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_40.pdf http://www.cpc.org.br/pdf/OCPC_03.pdf CPC 15: Combinação de Negócios http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_15.pdf CPC 16: Estoques - Custo Fixo / UEPS: VEDADO http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_16_R1.pdf CPC 17: Contratos de Construção http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_17.pdf
Escrito por Fernanda Silva às 00h34
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CPC 18: Investimento em Coligadas e em Controladas http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2018.pdf CPC 19: Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint Venture) http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2019.pdf CPC 20: Custos de Empréstimos http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2020.pdf CPC 21: Demonstrações Contábeis Intermediárias (2011) http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2021.pdf CPC 22: Informações por Segmento http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2022.pdf CPC 23: Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de erro http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_23.pdf CPC 24: Evento Subseqüente http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_24.pdf CPC 25: Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_25.pdf CPC 26: Apresentação das Demonstrações Contábeis http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2026_2010.pdf CPC 27: Ativo Imobilizado – Depreciação / Revisão de Vida útil http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2027.pdf CPC 28: Propriedade para Investimento http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2028.pdf CPC 29: Ativo Biológico e Produto Agrícola http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_29.pdf CPC 30: Receitas http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_30.pdf CPC 31: Ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_31.pdf CPC 32: Tributos Sobre o Lucro http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_32.pdf CPC 33: Benefícios a Empregados http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2033_final.pdf CPC 34: Exploração e avaliação de Recursos Minerais (Não emitiu CPC) CPC 35: Demonstrações Separadas - Opcionais http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2035.pdf CPC 36: Demonstrações Consolidadas – Equivalências Patrimoniais http://www.cpc.org.br/pdf/CPC%2036_R1.pdf CPC 37: Adoção inicial das Normas Internacionais de Contabilidade http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_37.pdf CPC 38: Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_38.pdf CPC 39: Instrumentos Financeiros: Apresentação http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_39.pdf CPC 40: Instrumentos Financeiros: Evidenciação http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_40.pdf CPC 41: Não Emitido CPC 42: Não Emitido CPC 43: Adoção inicial dos pronunciamentos Técnicos CPC 15 a 40 http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_43.pdf CPC 44 PME: Contabilidade para pequenas e médias empresas http://www.cpc.org.br/pdf/PME.pdf CPC com 225 páginas. De suma importância para o conhecimento de todos. Excelente leitura para um fim de Semana na praia, rsrs.
Escrito por Fernanda Silva às 00h32
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Prezados colegas,
Estou disponibilizando no meu blog, este material publicado por mim em parceria com o Msc. e Prof. Fabiano Torres Junior. Cabe lembrar que este artigo foi publicado pela Revista Técnica nº 130 pg. 50 a 61 do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul em Setembro de 2007, pelo Centro de Orientação, Atualização e Desenvolvimento Profissional - COAD, Caderno de Contabilidade e Gestão, pg. 03 a 10 em Outubro de 2007 e Pela Revista Pensar Contabil Vol. X nº 39 de Janeiro a Março de 2008 do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro.
BALANÇO SOCIAL: UMA FERRAMENTA DE GESTÃO
Autores: Fabiano Torres Junior, Contador, Mestre em Ciências Contábeis pela UERJ, professor do Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM – CRC RJ 074814-O/5
Fernanda Rosa da Silva, Contadora; graduada pela Universidade – Centro universitário da Cidade – CRC RJ 090409/O-2
RESUMO
Este artigo teve por finalidade mostrar a importância da elaboração e da publicação do Balanço Social pelas empresas. A sociedade no geral vem cobrando das empresas a contribuição na melhora da qualidade de vida e da retribuição com o meio ambiente, já que utilizam, na grande maioria das vezes, recursos naturais para alcançarem os seus objetivos. Como excelente ferramenta de gestão, o Balanço Social tem por objetivo principal a evidenciação dos investimentos feitos pelas empresas nas áreas social e ambiental. Essa ferramenta serve, ainda, como uma forma de marketing, onde a sociedade verifica como os recursos gerados pela empresa está sendo aplicado em benefício da população . Iniciou-se este trabalho com o histórico do demonstrativo, explicando os conceitos, o processo de elaboração e publicação, encerrando-se com uma proposta de padronização dentro dos modelos ora existentes (IBASE e ETHOS).
Palavras-chave: Balanço Social, Gestão, Evidenciação, Contabilidade.
ABSTRACT
This article had for purpose to show the importance of the elaboration and the publication of the Social Balance for the companies. The society at all comes has been charging companies the contribution in the improvement of the quality of life and the repayment with the environment, since they use natural resources to reach it’s objectives in the majority of times. As excellent tool of management, the Social Balance has for main objective the disclosure of the investments made for companies in social and ambient areas. This tool still serves as a marketing form, where the society verifies how the resources generated for the company are being applied in benefit of the population. This work was initiated with the description of the demonstrative, explaining the concepts, the process of elaboration and publication, locking in itself with a proposal of standardization inside the models however existing (IBASE and ETHOS).
Word-key: Social Balance, Management, Disclosure, Accounting.
1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
As empresas, a cada ano que passa, vem amadurecendo junto com a sociedade. Hoje não são somente os lucros que fazem um negócio prosperar. A globalização vem acirrando a concorrência entre as empresas. Aquela que se destacar perante a sociedade é a que poderá angariar mais clientes e ter seus produtos em evidência. As empresas precisam mostrar ao mundo qual a sua parcela de responsabilidade junto à própria sociedade e ao meio em que vive.
A forma das empresas trabalharem e o destino dos recursos vêm tomando destaque no meio empresarial e se disseminando junto a população. A contabilidade, como ciência social aplicada, vem acompanhando essas mudanças no auxílio a esse processo. Vem cumprindo o seu papel de prestar informações aos usuários e auxiliar o processo decisório de gestão. Segundo Kroetz (2001), a história da contabilidade acompanha a evolução da humanidade, procurando suprir suas necessidades em termos de controle e gerenciamento da riqueza.
Uma ferramenta recém criada e que já é adotada por grandes empresas chama-se de Balanço Social. Este demonstrativo, junto com a Demonstração de Valor Adicionado, vem se destacando na mídia como o meio em que as empresas divulgam qual a sua contribuição para o meio ambiente e para a sociedade em geral.
2 CONCEITOS INICIAIS
O Balanço Social é um instrumento de gestão e informação que tem o objetivo de reportar, de forma transparente, informações econômicas, financeiras e sociais do desempenho das entidades aos mais diferenciados usuários da informação. É um demonstrativo publicado anualmente pelas empresas que tem a finalidade de reunir informações sobre projetos, benefícios e ações sociais voltadas aos funcionários, investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade sendo também um instrumento estratégico para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade social corporativa.
Tinoco (2002, p. 59) explica que o Balanço Social é “ um instrumento de gestão e de informação que visa evidenciar, da forma mais transparente possível, informações econômicas e sociais do desempenho das entidades aos mais diferenciados usuários”.
Considerado como inspiração sociológica dos novos tempos, o Balanço Social foi instituído em uma época em que ocorreram transformações profundas de pensamentos quanto ao uso da riqueza. A Alemanha é reconhecida como o primeiro país a apresentar este tipo de informação, cujo nome definido foi Balanço Social. Isto foi possível devido aos movimentos dos operários que reivindicavam melhorias na qualidade de vida, respeito e dados informativos sobre o papel das empresas para com a sociedade. Sendo assim, o Balanço Social deve ser algo real e consciente para todos os âmbitos da sociedade (sociedades empresariais, entidades filantrópicas, empresas públicas, governo, conselhos de classe, dentre outros). Nos dias atuais, a responsabilidade social do setor privado é ter em mente que as empresas fazem parte da vida da população.
A idéia da responsabilidade social das empresas se deu pela primeira vez nos Estados Unidos da América com a guerra do Vietnã no início dos anos 60, durante o governo Nixon, o que resultou em grande insatisfação popular, seguida de manifestações e reprovações do tal litígio. Mas somente na década de 60 é que as grandes empresas americanas passaram a apresentar anualmente relatórios descrevendo sua política-social. Hoje, os relatórios econômico-sociais são chamados de social audit, voltado basicamente para o ambiente externo, para a satisfação de consumidores, clientes, qualidade dos produtos, controle de poluição e preservação do meio ambiente. Já na Europa, a responsabilidade social das empresas popularizou-se nos anos 70. Segundo Tinoco (2001), em 1971 a companhia alemã Steag formulou uma espécie de relatório social, um balanço de suas atividades sociais. A França foi o primeiro país a editar e a publicar uma lei sobre Balanço Social. Em 12 de julho de 1977 foi aprovada a Lei nº 77.769 du Juillet 1977 relative au bilan social de l’entreprise, posta em prática no ano de 1979. Esta lei obrigava as empresas com mais de 300 empregados a publicar o Balanço Social. A referida lei possui méritos inegáveis, reconhecendo na forma institucional a importância dos trabalhadores de um grande número de empresas externas com os usuários da informação contábil. Marques (2002, p. 71) relata que no Reino Unido fala-se muito de responsabilidade social nos seguintes termos: “As pressões exercidas pelos movimentos sociais em cima dos dirigentes de empresas são numerosas e muitas vezes inesperadas, assim, entidades de classe levam o patronato inglês também a tomar posição por reconhecer certas formas de responsabilidade social”.
No Brasil, a mudança da mentalidade empresarial se deu através da Carta de Princípios do Dirigente Cristão de empresas tendo a sua publicação em 1965, pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil (ADCE Brasil). Na década de 80 a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (FIDES) elaborou um modelo. O assunto começou a ser discutido e inserido no meio empresarial a partir dos anos 80, através de diversos estudos do Departamento de Contabilidade e Atuária da Faculdade de Economia e Administração da USP. O primeiro documento brasileiro de gênero que carrega o nome de Balanço Social foi publicado em 1986 pela Nitrofértil, empresa estatal situada na Bahia. No mesmo período também foi elaborado o Balanço Social do Sistema Telebrás, publicado em meados da década de 80. O Banco Banespa realizou o seu Balanço Social em 1992. A maior ênfase ocorreu somente em 1996, através de uma campanha iniciada pelo sociólogo Herbert de Souza (Betinho) que, juntamente com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) e com o jornal Gazeta Mercantil, obteve a adesão de diversas empresas à proposta de publicação de um Balanço Social pelas empresas, em um modelo único e simples. Esse balanço tinha como objetivo principal à diminuição da pobreza e das injustiças sociais, construindo uma cidadania, desenvolvendo a responsabilidade social no setor empresarial brasileiro, em busca do desenvolvimento humano, social e ambiental. Em 18 de junho de 1997 ocorreu o lançamento oficial do Balanço Social, onde empresários tiveram a oportunidade de debater o assunto e discutir o programa, assumindo o compromisso de apresentar resultados no mesmo ano por meio de demonstrações quantitativas e qualitativas do desempenho social das empresas, tantos dos aspectos internos, como também das relações das empresas com a sociedade. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Souza (1997) apud in Serra Negra (2002, p. 71-72) explica que:
A idéia é demonstrar quantitativa e qualitativamente o papel desempenhado pelas instituições no plano social. Isso inclui os aspectos internos e as relações da empresa com a comunidade local. Vários são os itens de verificação: educação, saúde, atenção à mulher, preservação do meio ambiente, contribuições para a melhoria da qualidade de vida e de trabalho dos funcionários, desenvolvimento de projetos comunitários, erradicação da pobreza, geração de renda e criação de postos de trabalho (...) Apesar da grave crise social, apontada por sintomas como desemprego, fome e miséria, há sinais animadores. Algumas empresas já estão trilhando esse novo caminho social.
Araújo (2001) explica que o Balanço Social é uma demonstração do lado social e humano da empresa, da responsabilidade social e do compromisso da entidade com as gerações presentes e futuras. Na sua forma mais ampla, continua o autor, essa peça contábil reflete a interação da empresa com os elementos (meio ambiente, comunidades, colaboradores etc.) que contribuem para sua existência.
Escrito por Fernanda Silva às 22h56
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3 RESPONSABILIDADE SOCIAL
Sendo uma ciência que estuda a situação patrimonial e o desempenho econômico-financeiro das empresas, a contabilidade possui os instrumentos necessários para contribuir para a identificação do nível de responsabilidade social dos agentes econômicos. Estes instrumentos, fundamentados na relevância que lhes conferem, vão se traduzir no Balanço Social. Sob a ótica de Torres (1999), a principal função do Balanço Social, compondo as demonstrações contábeis, é tornar pública a responsabilidade social de uma empresa, fazendo parte do processo de por as cartas na mesa, mostrando com transparência e clareza, demonstrando quantitativa e qualitativamente para os empregados, para os atentos clientes e para os acionistas, fornecedores e investidores, o que a empresa está fazendo na área social. A empresa cumpridora do seu papel social investe no seu próprio futuro e tem o direito de tornar público todas as suas ações para com a sociedade, atraindo mais consumidores, pois estes passam a ter uma idéia da mentalidade dos dirigentes da empresa, associando à qualidade do produto ou serviço oferecido no mercado.
A responsabilidade social das entidades é a produção de empregos e renda, que deverão ser distribuídos de forma eqüitativa a todos os envolvidos em sua geração, proporcionando aos que estão fora do mercado de trabalho perspectiva de retorno, principalmente nos países do terceiro setor, em particular o Brasil.
A responsabilidade social corporativa não está situada somente no âmbito de doações ou filantropias praticadas pelas empresas privadas. Seu conceito se aproxima mais das estratégias de sustentabilidade de longo prazo, performance e lucros, o que, também, se inclui a necessária preocupação com os efeitos da atividade desenvolvida e o objetivo de proporcionar bem-estar para a sociedade. Conclusivamente, a publicação do Balanço Social cada vez mais ganha o seu espaço, gerando discussões sobre a responsabilidade das empresas enquanto agentes sociais para o desenvolvimento do país e o bem-estar da sociedade, não somente assumindo o papel na produção de bens e serviços. Kroetz (2000) explica que as dificuldades governamentais decorrentes de inúmeras crises fizeram com que os empresários percebessem a importância da valorização do homem e com investimento cultural, que são as principais determinantes do sucesso de mercado.
Segundo Oliveira (2002), apud in Petrelli (2004), a responsabilidade social da empresa funde-se em uma nova visão da realidade econômica. É uma nova filosofia, um novo modo de conceber as relações entre os fatores de produção (trabalho e capital), dos quais surge uma nova concepção de empresa, a empresa cidadã, preocupada em não somente otimizar lucros, mas em melhorar as condições de vida na sociedade, em todos os aspectos. A revista Exame, da Editora Abril S/A, vem publicando desde o ano de 2000 o Guia Exame da Boa Cidadania Corporativa, onde destaca as empresas socialmente responsáveis. As dez empresas que mais se destacaram no guia foram: Ambev, Banco Real, Basf, Celpe, CPFL, Elektro, Promon, Refap, Serasa e Suzano. Segundo Rosenburg (2006) poucos assuntos evoluíram tão rapidamente no universo empresarial brasileiro nos últimos anos como a discussão sobre a responsabilidade corporativa. A autora explica, ainda, que as empresas estão num estágio de preocupação com a sustentabilidade. O contexto atual, marcado pela urgência de temas como degradação ambiental e a exclusão social pela emergência dos movimentos sociais e de novas potências globais, entre outros aspectos, leva as companhias a lançar um novo olhar sobre suas responsabilidades e seus impactos na sociedade. O resultado é que as questões ambientais e sociais, que sempre foram marginais aos negócios, estão chegando ao coração da estratégia.
Vassallo (2006) explica que sobretudo, nos últimos anos, a questão da responsabilidade social tornou-se um dos grandes desafios estratégicos de companhias de todo o mundo. Explica, ainda, que a discussão vai muito além do papel das empresas em relação às pessoas que vivem próximas as suas operações. Vai muito além, também, de quanto elas podem contribuir para a melhoria das condições sociais de uma cidade ou mesmo de uma região. Ficou óbvio que a forma como as empresas se colocam diante de seus acionistas, do meio ambiente, dos clientes, consumidores, fornecedores e empregados será decisiva para a sua perenidade. Responsabilidade social tornou-se sustentabilidade. E sustentabilidade tornou-se estratégia de negócios, jeito de operar e de conquistar confiança e resultados. Ratificando as assertivas acima, De Luca (2005) afirma que a responsabilidade social é considerada uma estratégia competitiva para as empresas de todos os segmentos, que atuam em um ambiente cada vez mais complexo, onde a qualidade dos produtos e os preços mais atraentes não se configuram mais como elementos diferenciais, mas como exigências naturais decorrentes dos negócios. Segundo Frey (2002), as empresas que praticam a responsabilidade social adquirem o respeito das pessoas e das comunidades que são impactadas por suas atividades, constituindo-se fatores cruciais de vantagem competitiva e sucesso empresarial.
3.1 Contabilidade Social
Sá (1994) apud in Kroetz (2000) relata que a prosperidade da sociedade depende da prosperidade das células sociais, pois são as atitudes administrativas das entidades as grandes propulsoras das mudanças sociais, favoráveis ou desfavoráveis. A falta de visão estratégica e as decisões administrativas inconseqüentes de alguns empresários que parecem não perceber que os problemas de fundo social e econômico fazem parte do dia-a-dia da sociedade.
Porém, o novo perfil tecnológico-econômico-social exigido pela globalização, requer que a contabilidade torne-se mais ativa no sentido de prestar informações atuais, demonstrando as mutações do patrimônio líquido no ambiente social. Sendo assim, entra em ação a contabilidade com sua cultura e tecnologia, oferecendo aos profissionais da área armas capazes de gerar, demonstrar e analisar o perfil da responsabilidade social. A sociedade sempre esperou da ciência contábil sua parcela de comprometimento com a busca do bem-estar social, pois além da proposta de uma reflexão a respeito da responsabilidade social do contador, exercidas pela ciência contábil, busca-se mostrar um vasto campo a ser explorado: a área social. São as empresas controladas pelos instrumentos contábeis que proporcionam dados capazes de produzir informações que servem de base às decisões dos mais diversos usuários, tanto internos como externos. As ações do governo provocam alterações nos comportamentos das pessoas e modificações no patrimônio das empresas. Cabe a contabilidade registrar, demonstrar e explicar as mutações ocorridas em seu objeto de estudos. Assim, surge a Sociologia da Contabilidade com o principal objetivo de estudar as interações sociais internas e externas das empresas, dando origem a uma nova contabilidade, a Contabilidade Social. Esse modelo permanece ainda muito vago e pouco aplicável. Poucas foram as empresas que se arriscaram a publicar seu Balanço Social com a intenção de prestar contas das ações benéficas e maléficas no meio em que atuam, prevenindo e controlando as medidas que poderão ter conseqüência sobre a sociedade e o meio ambiente. Contudo, o desenvolvimento da Contabilidade Social se faz necessário, pois a sociedade passou a exigir de seus gestores e administradores mais clareza em suas ações, para que possam ser responsabilizados e para que o consumidor opte pela escolha, no momento em que adquiram produtos, não somente pelo preço e qualidade, mas a relação entre a empresa e o meio ambiente, e a empresa e a sociedade. A Contabilidade Social mostra os verdadeiros impactos – causa e efeito – sobre a circulação de riquezas entre as empresas e a sociedade. Logo, visa criar um sistema com a capacidade de demonstrar, avaliar e explicar os dados sobre as atividades das empresas para com a sociedade e o meio ambiente podendo, no final de cada exercício social ou em qualquer tempo, preparar informes como o Balanço Social e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA).
Escrito por Fernanda Silva às 22h52
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3.2 Balanço Social
O Balanço Social não se originou somente das pressões sociais, mas também da necessidade das empresas em alcançar seus objetivos, tendo como base um instrumento de identificação de problemas e oportunidades, e apoio para a administração, demonstrando os seus gastos e suas influências para as promoções humanas, sociais, ecológicas e ambientais. Para Danziger (1993), apud in Tinoco (2001, p. 30) o Balanço Social “é um documento importante, espelho da situação social da empresa, ele testemunha o clima que a rege. Plataforma de cooperação ou de reivindicação, ele inaugura de maneira implícita uma nova era nos relatórios entre a direção e os assalariados”. Existem dois objetivos para o surgimento do Balanço Social enquanto demonstração: objetivos genéricos, que têm a finalidade de suprir as necessidades de apresentação de informações de caráter social e ecológico, e os objetivos específicos com as finalidades de: (1) revelar, com as demonstrações contábeis, as estratégias de sobrevivência e o crescimento da empresa; (2) evidenciar as contribuições à qualidade de vida da população; (3) a abrangência do universo das interações sociais entre clientes, fornecedores, associações, o governo, os acionistas, os investidores, entre outros; (4) apresentação dos investimentos no desenvolvimento de pesquisas tecnológicas; (5) ampliar o grau de confiabilidade da sociedade na empresa; (6) contribuição para a implementação e manutenção de processos de qualidade, sendo a própria demonstração do Balanço Social um parâmetro para tal; (7) verificar a participação do processo de gestão dos funcionários (gestão participativa) e (8) servir de base para negociatas laborais entre os empresários, sindicatos e representantes dos empregados, entre outros.
4 MODELO DE BALANÇO SOCIAL
Francischini (2004) afirma que a publicação do Balanço Social pelas empresas brasileiras é considerada importante por ser uma forma de demonstração transparente na atuação social das mesmas. A atuação das empresas no campo social é analisada sob as seguintes perspectivas: sociedade, acionistas, processos internos, aprendizado e crescimento. O modelo de Balanço Social estabelecido pelo IBASE vem sendo utilizado pelas empresas dos mais variados segmentos econômicos por se tratar de um modelo simples e objetivo, que foi desenvolvido com as colaborações de empresas públicas e privadas. Por ser um modelo simples, serve como estímulo para que muitas empresas passem a publicar e, através das informações apresentadas, possibilitar comparações da atuação social de uma empresa ao longo dos anos e entre outras empresas pertencentes ao mesmo segmento econômico.
O CRC RJ, para certificação de empresas cidadãs, utiliza-se de três modelos de Balanço Social: o do próprio CRC RJ, do Instituto Ethos e do IBASE. Os modelos estão disponíveis no seguinte link: http://www.crc.org.br/eventos/empresa_cidada/emp_cidada.asp. Várias empresas foram certificadas através do envio das informações, como por exemplo a Acesita S/A, Ampla S/A, Banco do Brasil, CEF, CEDAE, Linha Amarela S/A entre outras.
Sendo publicado anualmente, o Balanço Social será entendido como um instrumento gerencial e estratégico que, contendo um conjunto de informações sobre projetos sociais, benefícios ao corpo funcional, investidores, analistas de mercado, acionistas e toda a comunidade, serve de base para a avaliação da prática da responsabilidade social corporativa. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) publicou a Res. CFC nº 1.003, de 19 de agosto de 2004, onde aprova a NBC T 15 – Informações de Natureza Social e Ambiental. O item 15.2 trata das informações a serem divulgadas, conforme abaixo:
a. Geração e Distribuição de Riqueza;
b. Recursos Humanos;
c. Interação da Entidade com o Ambiente Externo;
d. Interação com o Meio Ambiente;
e. outras que julgar necessárias.
Segundo a mesma norma, as informações contábeis contidas na Demonstração de Informações de Natureza Social e Ambiental são de responsabilidade técnica de contabilista registrado no CRC. Spinelli (2000) explica que a contabilidade, como ciência, utiliza conceitos matemáticos, sociais, sociológicos voltados ao planejar, organizar, controlar, comunicar, motivar e mensurar a eficiência e a eficácia de um processo de gestão, de início, meio e fim.
A finalidade do Balanço Social é mostrar o que a empresa faz por seus profissionais, dependentes, colaboradores e comunidade, dando transparência às atividades que buscam melhorar a qualidade de vida para todos. Ou seja, sua função principal é tornar pública a responsabilidade social empresarial, construindo maiores vínculos entre a empresa, a sociedade e o meio ambiente.
4.1 Elaboração e Implementação do Balanço Social
Segundo Tinoco (2001), o processo de elaboração do Balanço Social tem como objetivo principal mostrar ao usuário da informação certa realidade econômica e social da empresa, embora esta realidade esteja sempre em estágio de avaliação. O autor afirma, ainda, que em decorrência do Balanço Social, as relações entre o fator capital e o fator trabalho podem ser bem mais regulados e harmonizados à medida que as forças sociais avancem e tomem posição, especialmente nos países do Terceiro Mundo, entre eles o Brasil, onde se observa a ocorrência de um capitalismo selvagem e desumano. O Balanço Social tem sido consagrado por várias empresas como um instrumento de gestão e informação, principalmente nos países onde o capitalismo está mais desenvolvido. Normalmente é divulgado pelas empresas aos seus funcionários e a comunidade onde está localizada, com informações sociais e econômicas, não colocando em questão a sua estrutura organizacional e os lucros apurados, pois estes são objetos principais da sua constituição. Isto permite uma relação consensual e não conflituosa entre dirigentes e assalariados. Não existe diferença entre o relatório elaborado para os acionistas e o relatório elaborado para o pessoal. Todas as informações que são úteis para o julgamento da situação econômica, social e ambiental estão reunidas em um único documento. As informações sociais e as informações econômicas devem ser elaboradas e publicadas juntas. A elaboração do Balanço Social comporta duas fases: na primeira, a pessoa responsável e designada para elaborá-lo deverá promover e coordenar a concepção do documento. O escopo, os meios, os objetivos a serem alcançados são definidos e planejados visando a sua elaboração. A segunda fase compreende a execução do trabalho planejado, após ajustamento de rotina, em que os indicadores e as fontes de informações foram previamente definidos. Com o decorrer do tempo o trabalho se incorpora às rotinas administrativas da empresa, passando a ser elaborado e divulgado, como ocorre com os demonstrativos contábeis. Quanto à implementação do Balanço Social nas empresas, esta se realiza através de quatro fases: (1) fase política – traduzida na tomada de consciência por parte da direção da empresa, da necessidade de ter o Balanço Social como ferramenta de gestão e de relação com a sociedade; (2) fase operacional – nesta etapa se busca implantar de forma operacional a demonstração do Balanço Social, exigindo o aperfeiçoamento do sistema organizacional e dos seus subsistemas, o que viabiliza a coleta, o tratamento e a geração de informações; (3) fase de gestão – mediante a integração dos novos objetivos sociais da empresa, o Balanço Social passa de simples instrumento de informação para instrumento de apoio e gestão. Esta é a fase em que se adicionam os objetivos sociais e ecológicos aos objetivos econômicos, afetando o processo da tomada de decisão nos diversos níveis da empresa, servindo de subsídio para o planejamento estratégico; e (4) fase de avaliação – nesta fase são avaliados os procedimentos utilizados na preparação e comunicação das informações, bem como a influência que as mesmas exerceram na tomada de decisão e implementação de novas posturas administrativas. Esta é a fase da retroalimentação do sistema, reavaliando todos os procedimentos, informações, implementações e resultados, oriundos da análise do Balanço Social. Yuri (2007) explica que o IBASE, em 1998, para estimular a participação de um maior número de corporações na elaboração e publicação do Balanço Social, lançou o Selo Balanço Social Ibase/Betinho. O selo é conferido, anualmente, a todas as empresas que publicam o balanço social no modelo sugerido pelo IBASE, dentro da metodologia e dos critérios propostos. Através do referido Selo, as empresas podem mostrar, em seus anúncios, embalagens, balanço social, sites de Internet e campanhas publicitárias que investem em educação, saúde, cultura, esportes e meio ambiente.
Escrito por Fernanda Silva às 22h51
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4.2 Fontes de Informação para a Elaboração do Balanço Social
O Balanço Social se sobrepõe a uma estrutura organizacional concebida para outros objetivos. Os serviços operacionais preparam as informações de gestão, que são transmitidas ao longo da hierarquia na empresa. Procurando utilizar-se ao máximo dos indicadores disponíveis espalhados pela empresa, o Balanço Social tem a função de reunir esses indicadores, dando-lhes um tratamento adequado em termos de transparência. A gama de informações que comporta, pressupõe a cooperação dos departamentos e a colaboração dos funcionários responsáveis pela coleta de dados que servirão como base para a sua elaboração.
São três os departamentos funcionais na elaboração do Balanço Social que são as principais fontes de informação: o departamento de pessoal, o departamento de contabilidade e o departamento de sistemas de informação. O departamento de pessoal envolve-se com os empregados, desde a admissão até a sua saída da empresa. O departamento de contabilidade registra os fatos administrativos e faz elaborar os demonstrativos contábeis previstos. Quanto ao departamento de sistemas de informação, Tinoco (2001) afirma que ele tem como principal objetivo prover informações monetárias e não-monetárias destinadas às atividades e decisões dos níveis: operacional, tático e estratégico da empresa, constituindo-se assim, peça fundamental do sistema gerencial da entidade. Observa-se, com isso, que o sistema de informação usa a informatização como instrumento de apoio, estando sempre em constante avanço e modernização tecnológica, rapidez no tratamento, armazenamento e divulgação da informação, constituindo-se, assim, numa ferramenta importante na elaboração do Balanço Social.
4.3 Análise dos Indicadores
A função básica do Balanço Social é utilizar ao máximo os indicadores disponíveis nos departamentos funcionais da empresa, reunindo e dando-lhes um tratamento adequado, em termos de transparência, para os agentes sociais. Sob a ótica de Kroetz (2000), o Balanço Social deve informar a influência da empresa na sociedade e no meio ambiente, através de investimentos realizados na educação, cultura, esporte e no meio ambiente. No plano interno, as informações deverão estar voltadas para a qualidade de vida da empresa e a promoção humana de seus funcionários, através de investimentos realizados na educação profissional e formal, saúde, segurança no trabalho, alimentação e esporte. O Balanço Social poderá divulgar indicadores baseados no planejamento estratégico, que revelam as tendências do futuro da entidade, agregando parte do relatório da administração a seu corpo de informações, numa visão pró-ativa. São múltiplas relações dos indicadores que podem ser extraídos do Balanço Social. Estes fatores são de ordem quantitativa e qualitativa. Podem ser obtidos indicadores de caráter econômico e de caráter social. São considerados, dentre outros, indicadores de caráter econômico: (1) valor adicionado por funcionário; (2) relação entre salários pagos aos funcionários e valor adicionado; (3) relação entre salários e as receitas brutas da empresas; (4) contribuição do valor adicionado da empresa para o produto interno bruto; (5) produtividade social da empresa; e (6) carga tributária da empresa em relação a seu valor adicionado. Quanto aos indicadores de caráter social, destacam-se: (1) evolução de vagas de emprego na empresa; (2) promoção dos funcionários na escala salarial da empresa; (3) relação entre a remuneração do pessoal, gerência e operários; (4) participação e evolução do pessoal por sexo e instrução; (5) classificação do pessoal por faixa etária; (6) classificação do pessoal por tempo de empresa; (7) nível de faltas dos funcionários ao trabalho; (8) benefícios sociais concedidos (médico, odontológico, moradia, educação); (9) política de higiene e segurança no trabalho; e (10) política de proteção ao meio ambiente.
5 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA)
Normalmente, as empresas na prática de suas atividades vendem produtos e serviços, adquirem despesas e auferem receitas. As receitas, sendo maiores que as despesas, resultarão em lucro. Assim, deve ser ressaltado que as empresas lucrativas geram riquezas com valor superior ao total de seus lucros, pois o lucro nada mais é do que a riqueza gerada pela empresa para si própria, ou para seus proprietários. Desta forma, Rossetti (2003) afirma que sob condições normais, o valor de saída (...) é superior aos custos de todos os suprimentos. E a diferença é exatamente igual ao valor adicionado, representado pelos custos pagos aos fatores de produção, sob a forma de salários, aluguéis, arrendamentos, juros, depreciações e lucros. Logo, o valor adicionado das empresas é representado pela diferença entre a receita total e os produtos e serviços intermediários adquiridos de terceiros. Valor adicionado é o valor da produção, avaliada a preço de mercado, e o valor de seu consumo intermediário. Preparada pelo sistema de informações contábeis, a DVA tem o papel de apresentar um conjunto de dados que revelam a riqueza gerada pela empresa, bem como sua distribuição dentro do seu ciclo operacional. Através da DVA se torna possível perceber a contribuição econômica das empresas dentro do segmento no qual atuam, constituindo assim, o Produto Interno Bruto (PIB).
Tinoco (2002) explica que a DVA evidencia, de forma transparente, esse valor gerado e sua repartição aos segmentos beneficiários, que são: pessoal, acionistas, Estado e os financiadores externos.
O CFC, através de Res. nº 1.010, de 21 de janeiro de 2005, publicou a NBC T 3.7, que trata da DVA. No item 3.7.1.2 define a DVA como a demonstração contábil destinada a evidenciar, de forma concisa, os dados e as informações do valor da riqueza gerada pela entidade em determinado período e sua distribuição. Sua publicação deve ser feita de forma comparativa do exercício atual com o exercício anterior, como é feito com os outros demonstrativos contábeis, e é de inteira responsabilidade do profissional de contabilidade devidamente registrado.
5.1 Elaboração da Demonstração do Valor Adicionado
A elaboração da DVA não tem como objetivo substituir a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), cuja função é informar como se forma o resultado líquido em determinado período. A DVA tem como principal objetivo fornecer informações aos diversos grupos que participam das operações. Tem como importante aspecto a base de mensuração: produção ou venda. Martins, apud in Tinoco (2001), informa que a DRE é uma demonstração egoísta do ponto de vista de agregação social, pois ele concebe que ela privilegia somente o lucro das empresas e não se preocupa com os outros agentes sociais, que também agregam. Já na DVA, fica claramente quantificada a geração de riqueza dentro da empresa, bem como a distribuição dessa riqueza entre os grupos sociais envolvidos em suas atividades.
É necessário que as empresas privadas, públicas, não-governamentais, entre outras, se tornem conscientes da responsabilidade social e pública, e os grupos envolvidos nas suas atividades entendam que, através da DVA, obterão as informações necessárias para a tomada de decisões, visualizando assim, a riqueza produzida dentro da empresa e a sua respectiva contribuição para este desempenho.
A Res. CFC nº 1010/05 publica um modelo simplificado de DVA.
6 CUSTO X BENEFÍCIO PARA A ELABORAÇÃO DO BALANÇO SOCIAL
Como já afirmado, o Balanço Social é um documento muito importante, pois na sua estrutura estão as informações necessárias para benefício dos usuários. Contudo, se faz necessário analisar o seu custo x benefício. O custo da coleta, escrituração e demonstração pode ser superior ao benefício oriundo da informação. Segundo Kroetz (2000), o custo-benefício do Balanço Social é de difícil mensuração, visto que as informações divulgadas atendem a um variado número de usuários, e cada um desses usuários impõe um grau diferenciado de importância e utilidade. Os investimentos realizados na área ambiental e social são de grande relevância para a prevenção de possíveis gastos adicionais, perdas, desperdícios e multas, além de melhorar a qualidade de vida da população e dos funcionários, melhorando, assim, a imagem da empresa e a qualidade dos produtos oferecidos, aumentando a produtividade e os lucros obtidos. Conclui-se, portanto, que entre os benefícios produzidos com a divulgação do Balanço Social, está a possibilidade de que seus usuários possam avaliar as ações desenvolvidas pelas empresas divulgadoras, em relação às influências que elas exercem sobre seus ambientes interno e externo, formando, com isso, os seus próprios juízos de valores, desencadeando ações individuais ou coletivas de aprovação ou repúdio às ações políticas organizacionais e governamentais.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho não tem a intenção de esgotar o assunto. Muito se tem a estudar sobre a elaboração e publicação do Balanço Social. Verificou-se que este demonstrativo, de suma importância, constitui-se de uma ferramenta de gestão, onde as empresas podem evidenciar seus investimentos nas áreas social e ambiental.
O Balanço Social acaba sendo uma forma de realização de marketing das empresas, onde seu nome pode estar na mídia como uma empresa socialmente responsável. Mas para se obter o resultado esperado, esta propaganda deverá ser a mais honesta possível e se tornar eficaz, através das comparações feitas pelos clientes, fornecedores, investidores e pela sociedade em geral.
O assunto é de tal importância que nos Cursos de Ciências Contábeis das Instituições de Ensino Superior já vêm sendo incluídas, em suas grades curriculares, duas disciplinas voltadas para essa área, que são Balanço Social e Contabilidade Ambiental, a exemplo do Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM, no Rio de Janeiro.
É necessário, ainda, que seja feita a proposta de um modelo único de Balanço Social, criando a obrigatoriedade de publicação pelas empresas, de tal forma que a contabilidade faça cumprir o seu papel: prestar informações aos usuários e permitir a comparabilidade entre os demonstrativos dos diversos setores. Schewz (2001, pág. 80), faz, com muita propriedade, o seguinte comentário: “ cabe aos profissionais de contabilidade a responsabilidade pela maximização da utilidade da informação contábil e todo o trabalho de procurar atender aos diferentes usuários destas informações”.
Escrito por Fernanda Silva às 22h49
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8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Escrito por Fernanda Silva às 22h49
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Prezados Colegas,
Estive fazendo algumas pesquisas em sites contábeis e encontrei algumas matérias sobre Marketing. Creio que este aprendizado seja de grande importância para a nossa classe. Acabei de fazer um curso sobre Marketing e Empregabilidade e gostei dos conceitos que aprendi.
Abaixo segue o endereço so site para as dicas:
http://www.sitecontabil.com.br/dicas_marketing/index.htm
Um abraço e boas pesquisas!!!
Escrito por Fernanda Silva às 21h17
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